domingo, 20 de abril de 2008

Níquel Náusea - Fernando Gonsales


sexta-feira, 18 de abril de 2008

Nunca fiz isso aqui...

Nunca fiz isso aqui, mas tudo tem sua primeira vez.


Hoje, eu tô mal, cara. Eu não sei, eu não sei, eu não sei. Tô muito confuso, não sei o que eu faço. Não sei por que isso acontece comigo. O que eu faço da minha vida? O que as pessoas pensam de mim?

Hoje, eu quero fugir. Sumir do mapa. É um daqueles dias onde eu me sinto rejeitado e frágil. Que vontade de chorar. E a lágrima não sai. É aquela coisa entalada na garganta e que por mais que eu tente dizer ou gritar, não sai.

Hoje, eu tô com vontade de jogar tudo pro alto. De pegar a mochila e desaparecer do mundo pelo mundo. De pegar a estrada sem medo de me fuder no fim dela. De tentar conhecer o quão o mundo pode ser belo. De me matar. De não ser ninguém. De chorar bastante mesmo! De dizer que Deus não existe. De mandar as pessoas se fuderem. De ser mais corajoso.

A minha cabeça ainda vai me matar. Eu passo mal com coisas que deveriam ser boas. O meu corpo reage de uma forma que me dá medo. Talvez, eu não agüente.

Tô confuso, cara. Não sei o que as pessoas pensam. O que elas querem. Que tipo de minhoca eu tenho na cabeça? Por que ela é problemática? Tenho vontade de colocar a cabeça num buraco e não tirar. Por que a minha mente é doentia? Por que eu não sou normal? Por que as pessoas são indiferentes? Não sei, não sei.

Que vontade de me matar. A vida é tão idiota. As pessoas são idiotas. E eu também. Por que eu não relaxo nunca? Por que tem sempre alguém em cima de mim me pressionando? Por que eu sempre penso que as coisas vão melhorar no futuro, mas quando o futuro chega, tudo continua a mesma droga?

Por que meus caminhos são sempre mais difíceis que os dos outros? Por que ninguém me ajuda? Por que eu não morro logo? Por que eu tenho medo das pessoas? Por eu não tenho coragem de fazer algumas coisas? Por que eu penso muito? Porque eu imagino coisas? O que eu faço? O que eu faço?

Meus sonhos viram pesadelos. As pessoas são meus pesadelos. Por que eu nunca chego nem aos pés dos meus sonhos? E começo a ficar desesperado só de pensar em chegar perto? Quando eu penso em tudo o que poderia ter sido e não foi, eu me culpo. Me pergunto por que fui tão burro e por que as pessoas não me ajudaram. Por que tudo é mais difícil pra mim? Por que eu sou anormal?

Não sei, não sei, não sei. Eu nunca sei de nada.

Eduardo Franciskolwisk

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Jornalista bundão é uma merda!

Aqui em Barretos tem um jornal que chama “Minijornal”. Deve ter esse nome por que tem, mais ou menos, o tamanho de uma revista. Geralmente, só na primeira página é que tem algo interessante, textos que talvez possam ser chamados de notícias. O restante é aquela coisa de “alta sociedade”, onde fala do prefeito, de médico, do dia internacional da mulher, etc. Não costumo ler esse jornal! O exemplar que li “caiu no meu colo”, digamos assim.

Resolvi escrever no blog porque não concordo com o que li. Vou transcrever o texto na íntegra, do contrário, não tem como vocês entenderem o meu pensamento. O escrito em azul e entre aspas é o texto do Minijornal. Em preto são meus comentários e minhas opiniões.

Título: “Minijornal recebe denúncia”

Quando um jornal recebe uma denúncia anônima, não deve publicá-la. Provas são absolutamente necessárias.” Concordo que não se deve publicar uma denúncia sem provas, mas sempre que houver uma denúncia dessas é um bom motivo para um jornalista arregaçar as mangas e se divertir um pouco.

“Como provar uma denúncia anônima? Não há como!” Há sim, caramba! Investigue, vai atrás. Tira a bunda da cadeira! “Se o que você leu parece ser um absurdo, vai ficar sabendo de que ‘há algo de podre no reino da Dinamarca’ (Vixe... algo de podre no reino da Dinamarca... de onde esse cara arrumou isso. Pra quê ir tão longe? Bastava dizer que há algo de podre na República do Brasil. Já estamos acostumados com isso.), mas que nada poderá fazer, a não ser alertar pessoa mencionada nela, afim de que ela possa estar ciente de que tem gente de olho nas suas transações pouco recomendáveis, seja no setor público ou privado, e que ao conseguir provas, estará correndo o risco de processo.” Ok, vamos com calma: a pessoa que escreveu isso talvez não conheça o ponto final. Essa parte ficou um pouco confusa por causa da pontuação, mas o que eu entendi foi que o jornal acha que deve ligar para o denunciado e dizer “Ei, idiota, roube menos e disfarça mais que já tem gente desconfiando. Fique esperto, cara, só estão esperando conseguir um prova para te mandar para a cadeia. Você é meu amigo, não quero isso para você.” Ou eu me enganei?

“Denúncia anônima não chega a ser falta de dignidade.” Ainda não acredito que li isso. Dá a entender que fazer uma denúncia anônima é uma falha no caráter da pessoa. A denúncia anônima é uma forma da população ajudar a polícia (e os jornais) a encontrar criminosos e brecar atos ilegais ou injustos. “Tem como objetivo alertar incautos (pessoa sem cautela) de que tem gente sabendo, mas que não tem como provar.” De novo... Agora vou tentar entender de outro jeito. Se X vende cocaína e Y denuncia o fato pro jornal Z, o jornal Z em vez de investigar se é verdade ou mentira, ou avisar a polícia, vai ligar para o traficante X e alertá-lo para que tome cuidado. É isso? É pra ajudar o bandido? “O ônus da prova cabe ao denunciante, se não a tem, não há como afirmar o que diz ou que sabe.” A responsabilidade da prova não é do jornal. Mas se alguém chegou a ponto de procurar um jornal para fazer a denúncia, quer dizer que sozinho ele não tem força ou não sabe como conseguir tais provas. É obrigação do jornal averiguar se as denúncias são reais ou não. Se forem reais deve avisar aos órgãos responsáveis, seja ou não através de suas publicações.

“Recebemos um ofício anônimo denunciando um fato, que não podemos publicar aqui por falta de provas. (Não sei vocês, mas eu fiquei curioso com essa merda!) Os indícios são todos de que há de fato ‘algo de podre’ (Além do jornal? Ops... me excedi, desculpa aí.) com referência à denúncia feita, até cópia de e-mail anexada, mas nada pode fazer o MINIJORNAL neste caso, a não ser ficar sabendo do ocorrido de uma possível e abominável transação que envolve interesse financeiro, conforme texto do ofício enviado.” Não pode fazer nada além de ficar sabendo do ocorrido? Não sei se eu rio ou choro. Claro que pode fazer. Investigue!

“A experiência profissional, leva-nos a ser precavido.” Tem que ser precavido mesmo, concordo, mas acima disso vocês estão sendo omissos. “A denúncia pode ser de fato grave, mas não há como publicá-la sem provas. Se o autor assumir o feito, abriremos espaço para publicação.” Se autor assumir? Ok... Digamos que ele assuma e dê tudo errado, a denúncia era verdadeira, mas por “dinheiro dos ricos” a verdade desapareceu. Quem fez a denúncia? O cidadão (que vai pagar o pato e se ferrar). Agora, se a denúncia derrubar várias pessoas importantes e sem moral, que roubam dinheiro público. Quem fez a denúncia? O Minijornal (que vai se vangloriar para sempre das fantásticas denúncias que publicou).


Realmente, não concordo com o pensamento desse jornal. Entendo que o jornal tem que ter um mínimo de provas para começar a investigar uma denúncia, mas querer que as provas venham andando até ele é o cúmulo da falta de vontade. É por isso que eu acho que jornalista bundão é uma merda. Por ser preguiçoso não corre atrás das matérias e por ser medroso não solta nem um pum se for correr risco de manchar sua reputação perante os ricos.

Eu escrevia crônicas idiotas (ou não...) para um jornal aqui da cidade. Nunca recebi um centavo e eu nem ligava para isso. Não fazia questão de dinheiro. Ficava feliz só de ser publicado. Uma vez, eu perguntei se eles me apoiariam se eu fizesse uma denúncia no jornal deles. Eles disseram que sim, que me publicariam, mas que eu ia arcar com todas as conseqüências, ou seja, se desse pepino eu ia pagar o advogado, ser possivelmente processado, etc. Fiquei quieto por um tempo. Aí, um certo dia, escrevi um crônica com denúncias. Eles não me publicaram. Desde então, nunca mais mandei textos pra eles. Eu parei de acreditar em seu jornalismo, na sua imparcialidade e percebi que isso não importava muito pra eles. Jornais com essa mentalidade vão continuar sendo sempre pequenos ou minis.

Eduardo Franciskolwisk

P.S.: Jornalista de verdade é o Cabrini que foi preso hoje por tráfico de drogas. Ele estava fazendo uma reportagem investigativa e armaram para cima dele. Encontraram drogas no carro e ele foi preso como traficante. O delegado sugeriu que ele dissesse ser usuário, mas ele não quis fazer isso, já que não é usuário e nem traficante. Tomara que eu não tenha que morder minha língua, mas eu acredito nele.
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